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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Manifestações Populares de 01 e 02/09/10 - Cidade de Maputo e Matola

1. INTRODUÇÃO
Os movimentos sociais são um dos indicadores mais expressivos para a análise do funcionamento de uma sociedade, na medida em que traduzem uma permanente dinâmica das forças sociais, permitindo identificar as tensões entre os diferentes grupos de interesse e expondo as veias abertas dos complexos mecanismos de desenvolvimento das sociedades. Em virtude disso, em cada momento histórico, são os movimentos sociais que revelam as áreas de carência estrutural, os focos de insatisfação, os desejos colectivos, permitindo a realização de uma verdadeira topografia das relações de diálogo entre a sociedade e o Governo.
No âmbito de exame de frequência da cadeira de Psicologia Comunitária, surge o presente trabalho que se subordina ao tema "Manifestações Populares de 01 e 02 de Setembro na cidade de Maputo e Matola". Para a sua elaboração recorreu-se à material bibliográfico, porém deu-se particular ênfase a análise reflexiva baseiada em factos reais decorrentes do nosso contexto social. A motivação na escolha deste tema foi norteada pela natureza impressionante do fenómeno social em questão, o impacto que ele causou à sociedade e o interesse acadêmico em discuti-lo, visto que constitui uma oportunidade ímpar de fazer análise psico-sociológica e o respectivo enquadramento teórico das teorias dos principais fundadores das ciências sociais. Sob o ponto de vista da sociedade moçambicana, o tema é pertinente porque tráta-se de um fenómeno que representa a forma como as massas expressam, através de manifestações populares, insatisfações político-ideológicas e económico-administrativas junto do Governo. Deste modo, tratar deste tema, entanto que estudante, para além de proporcionar uma aprendizagem efectiva na dimensão analítica e de intervenção social, ajudará a compreender a essência das manifestações populares, suas implicações político-ideológicas e permitirá prescrutar evidências de existência de uma possível relação entre este fenómeno social e a instabilidade político ou económica de um determinado Estado. De uma forma geral, o objectivo de debater este tema é de analisar a origem do comportamento colectivo dos populares que culminou com as manifestações populares de 01 e 02 de Setembro, esperando-se, com isso, que se adquiram subsídios suficientes que possam ajudar na análise e interpretação do fenómeno social em questão. Contudo, para além da introdução, o trabalho está estruturado nos seguinte termos: Karl Marx (Materialismo Histórico) e as Manifestações Populares; Emile Durkheim (Controlo Social) e as Manifestações Populares; Gustavo Le Bon (Sugestão vs Contágio) e as Manifestações Populares; implicações político-ideológicas e sociais das manifestações; contextualização histórica das manifestações populares; análise pessoal sobre as manifestações e a conclusão que culminará com as consideraçõs finais sobre o tema.


 2. NA PERSPECTIVA DE ALGUNS AUTORES

2.1. Karl Marx (Materialismo Histórico) e as Manifestações Populares
Na visão de Marx citado por Lumier (2008), a explicação de um fenómeno social, precede a sua efectiva compreensão. De igual modo, segundo este autor, para fazer análise de uma sociedade é necessário conhecer previamente o processo de produção dos seus alimentos e é necessário conhecer a sua história. O autor refere ainda que os conflitos são uma característica basilar de uma sociedade. Sob este enfoque teórico, pode-se afirmar com significativa segurança que, as mudanças no modo de organizar a produção ao longo da história de uma determinada comunidade, provocam também profundas transformações sociais. Deste modo, o crescimento das manifestações populares em Moçambique sinaliza uma transformação social, dai que elas crescem continuamente e as desordens sociais aumentam em tais situações visto que constituem um fenómeno típico das sociedades modernas industriais. Neste diapazão, para uma análise exaustiva das manifestações populares recentemente ocorridas na cidade de Maputo e Matola nos dias 01 e 02 de Setembro, talvez seja necessário, como refere Karl Marx, um conhecimento prévio da história de Moçambique e da forma como esta sociedade produz os seus alimentos. Em linhas gerais, vejamos:
Moçambique tornou-se independente de Portugal em 1975. A partir daí a força política dirigente do Estado, o partido Frelimo, introduziu políticas econômicas de carris comunista, que levaram o país, de certa forma, ao declínio social e econômico. A estas dificuldades, acresceu-se a guerra civil; foi um período difícil, que durou 16anos, até 1992 com o fim da Guerra Civil. Durante a década 80, dada a insustentabilidade das políticas intervencionistas, baseadas em subsídios, a solução foi de aderir as instituições de Bretton Woods para beneficiar dos seus créditos e pouco a pouco ir abandonando as políticas socialistas. Foi assim que, em 1984, Moçambique, um país socialista, aderiu ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Em 1990, após a queda do murro de Berlim, aprovou-se uma Constituição da República de carris democrático (Constituição de 1990) e em 1992 foi assinado o Acordo Geral de Paz, entre os dois grandes partidos políticos (Frelimo e Renamo) que terminou com a guerra civil e abriu caminho para as sucessivas eleições democráticas realizadas nos últimos 18anos. O ponto é que: ao longo da história o Estado moçambicano baseiou as suas acções em políticas intervencionistas, primeiro seguindo políticas marxistas (1975-1990), depois nas teorias queynesianas de Estado dinamizador da economia (1991- até ao presente momento).
Fazendo-se um olhar atento e uma breve reflexão para o percurso histórico de Moçambique, pode-se inferir que, durante um longo período de tempo que durou quase a idade da Guerra Civil, o povo moçambicano ficou "habituado" a receber apenas tudo do "outro" sem, no entanto, fazer esforço para produzir, ainda que, se calhar, as condições não permitissem. Esta situação tenebrosa, deve ter colocado o povo moçambicano no "comodismo", vivendo a "Deus dará". Porém, com a conjuntura mundial actual, para um povo que está "habituado" a receber pão do outro, sente-se desafiado e pressionado pelas contingências sócio-económicas acturais e, diante disso, uma das soluções é pressionar o Governo por via de manifestações populares. Contudo, esta é uma perspectiva de análise não significando, no entanto, que seja a única forma de se interpretar aquele fenómeno social.

2.2. Emile Durkheim (Controlo Social-Ordem Social) e as Manifestações Populares
Sgundo Durkhein citado por Lumier (2008), o controlo social só é possivel quando há participação da comuidade na definição das regras e só essas regras é que são aceitáveis – princípio de participação da comunidade no processo de tomada de decisões. Para Durkhein, quando a comunidade participa no estabelecimento das regras, elas assumem as consequências e, havendo discordias no estabelecimento das normas sociais, procura-se construir consensos entre a sociedade e o Governo. Seguindo esta perspectiva de análise, pode-se inferir que uma das razões que levou a sociedade a se manifestar foi, efectivamnte, a falta de comunicação, falta de dialogo entre o Governo e a sociedade, o que significa dizer que não houve comunhão de ideais entre estes dois órgãos. Ou seja, a sociedade não participu ou não participa no processo de tomada de decisões, tendo sido tomadas unilateralmente. A participação da sociedade no processo de tomada de decisão, permite a comunhão de ideais passando, as consciências individuais a consciências colectivas, organizando-se de modo duradouro e fixando-se também nas instituições sociais (família, igrejas, sistema educacional, etc.) e noutros sistemas de base social. Serão esses ideais colectivos (valores, princípios, juízos, prescrições, etc.) que, se forem consensuais e efectivamente respeitados, garantirão uma normatização adequada à vida social.

2.3. Gustavo Le Bon (Sugestão vs Contágio) e as Manifestações Populares
Le Bon citado por Garcia (2001), refere que quando um indivíduo se junta à um grupo, passa a agir por sugestão e adquire um poder invencível. Ele percebe que é capaz de realizar aquilo que achava impossível realizar individualmente. Para Le Bon, num grupo todos os sentimentos e todos os actos são processos contagiantes, de tal modo que o indivíduo sacrifica os interesses pessoais pelos interesses do grupo. Deste modo, a sugestão e o contágio fazem com que o indivíduo aja de forma inconsciente, pois a barreira existente entre o consciente e o inconsciente fragiliza-se. Nas manifestações do dia 01 e 02 de Setembro, estes fenómenos fizeram-se sentir, o que permitiu com que as pessoas se organizassem informalmente e agissem livremente e que os indivíduos fizeram coisas que não seriam capazes de fazer isoladamente. Esta, na minha óptica, foi uma das principais origens do comportamento colectivo manifesto pela sociedade da cidade de Maputo e Matola no dia 01 e 02 de Setembro.
Conforme Le Bon, todas as manifestações da vida psíquica podem ser contagiosas, mas são especialmente as emoções que se propagam desse modo. As  idéias contagiosas são sínteses de elementos afectivos. O contágio constitui um fenômeno psicológico cujo resultado é a aceitação involuntária e incondicional de certas opiniões e crenças. Sendo inconsciente a sua origem, ele se opera sem que nisso intervenha o raciocínio ou a reflexão, isto é observado em todos os homem, principalmente quando se encontram em multidão.
Le Bon salienta que o contágio e a sugestão não se exercem somente pelo contacto directo dos indivíduos, porém podem ser produzidos através de livros, jornais, notícias telegráficas, mensagem telefónicas ou mesmo simples rumores. Nesta perspectiva, pode-se constatar que nas manifestações ora em causa, as mensagens telefónicas e os rumores constituiram os principais meios através dos quais ocorreu o contágio e a sugestão. Le Bon reitera que as opiniões propagadas por contágio só se destroem por meio de opiniões contrárias propagadas do mesmo modo. Quando essa regra de ordem psicológica é devidamente aplicada permite, graças aos meios de que se dispõe, se combater o contágio pelo contágio.

2.4. Implicações Político-ideológicas
Face às manifestações ocorridas nos dias 01 e 02 de Setembro do ano em curso, podem se referir inúmeras implicações político-ideológicas e sócio-económicas. Deste modo, de entre as várias implicações, uma das maiores foi a adopção de novas políticas da parte do governo que culminaram com:
  • a baixa de preços de serviços e produtos alimentares de primeira necessidade, tais como: pão, arroz, água, energia eléctrica, combustível e outros, acompanhado pelo respectivo subsidiamento das panificadoras;
  • o congelamento dos salários dos Presidentes do Conselho de Administração (PCA’s) das maiores empresas estatais e privadas subsidiadas pelo Estado;
  • a redução de subsídios de viagem e regalias dos agentes do Estado; e, sob o ponto de vista sócio-económico, verificaram-se perdas de vidas humanas, bens públicos e privados vandalizados, horas de trabalho perdidas, negócios de vulto não realizados, perda de confiança com os investidores estrangeiros, etc..

3. CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA
As manifestações populares referidas nesta "dissertação" acadêmica ocorreram em Moçambique, concretamente nas cidades de Maputo e Matola. Primeiro foi no dia 05 de Fevereiro de 2008, em seguida foi nos dias 01 e 02 de Setembro do ano em curso. Todavia, neste singelo trabalho, de forma particular, abordar-se-á sobre as manifestações populares de 01 e 02 de Setembro por terem ocorrido mais recentemente, o que permitirá uma análise mais ou manos exaustiva. Essas manifestações, de acordo com alguns órgãos de comunicação, foram causadas pelas medidas governamentais referentes à subida de preços de serviços e produtos alimentares básicos, tais como o pão, a energia eléctrica, a água, combustível e outros, sem que tais medidas fossem acompanhados do proporcional aumento dos seus rendimentos, alguns deles, por via de salários. Caracterizavam-se por protestos e desordem social. No seu rescaldo geral, a cidade foi paralisada; os principais pontos de acesso a cidade foram bloqueados com barricadas e pneus incendiados; alguns transportes pessoais e públicos foram vandalizados; lojas foram saqueadas; a polícia ripostou com gás lacrimogéneo e nalguns casos com balas verdadeiras de arma de fogo. Em consequência de tudo isso, de acordo com o Jornal Notícias na sua edição dos dias 03 e 04 de Setembro, houve 08 mortos, 238 feridos e mais de uma centena de detidos. Contudo, pelo carácter informal do fenómeno social aqui em causa, talvez não seja adequado designá-lo "manifestações populares", visto que este atributo, pressupõe uma ocorrência legal do fenómeno. Não sendo o caso para este fenómeno, alguns analistas chamaram de "convulções sociais", outros de "distúrbios sociais" e ainda outros chamaram de "desordem social". No entanto, começando por respeitar todas essas designações e não me opondo completamente a elas, eu designei manifestações populares, simplesmente porque acho melhor e mais adequado assim designar. Ora, tendo em consideração o fenómeno no seu todo, importa fazer uma análise reflexiva sobre a sua origem e o por quê do comportamento colectivo manifesto pelos populares.

3.1. Análise Pessoal Sobre as Manifestações Populares de 01 e 02/09/10
Na minha óptica, as manifestações populares dos dias 01 e 02 de Setembro na cidade de Maputo e Matola foi uma demonstração clara de que os cidadãos não têm espaço de interlocução com o Governo, com as forças políticas, com as organizações da sociedade civil (organizações sindicais, etc.), entre outras entidades, para debater questões tão importantes para a sua vida diária como o aumento insuportável do custo de vida, causado por aumentos galopantes dos preços dos serviços e dos bens básicos de consumo como pão, água, energia, arroz e outros produtos indispensáveis ao seu dia-a-dia.
Com efeito, as manifestações também podem ter sido causadas por expectativas, da parte da sociedade, de melhoria das condições de vida a partir das declarações de intenções, como sejam "futuro melhor", "combate ao espírito do deixa andar", "combate à pobreza absoluta rural e urbana" que foram criadas  nos cidadãos com o passar do tempo, sem que na prática produzam resultados palpáveis, tornando-se assim meros slogans repetidos muitas vezes nos mais diversos níveis de governação, resultando em frustação que criou na população um sentimento de desespero e revolta.
De facto, a medida que as diferenças sociais baseadas, sobretudo, na renda e poder de compra, vão emergindo e ganhando visibilidade, a sociedade vai clamando por mais espaço, mais voz e maior representatividade. Deste modo, estas manifestacoes demonstraram, também, de forma clara que para o Governo, a voz do povo não conta ou tem sido utilizada e manipulada de uma forma demagógica, ou simplesmente ignorada. Diante disso, também pode-se referir a falta de respostas efectivas aos inúmeros problemas enfrentados e denunciados pelos cidadãos que teve como consequências manifestações populares violentas. No entanto, é importante salientar que Moçambique (cidade de Maputo e Matola) corre o risco de testemunhar novamente manifestações populares, com consequências nefastas já conhecidas como a perda de vidas humanas, bens públicos e privados vandalizados, horas de trabalho perdidas, negócios de vulto não realizados, perda de confiança dos investidores estrangeiros, para além do mal estar social que o fenómeno em si gera, se as ideologias políticas do governo não mudarem no sentido de “o vento soprar à favor do povo”.


4. CONCLUSÃO
Ainda que tão forte e resistente, em determinado momento, uma corda já não pode se esticar mais e rebenta. Por via disso, um custo de vida tão crescente e desafiador não é algo que uma população grosseiramente empobrecida, como o povo moçambicano, poderia aguentar por muito tempo.
Depois da elaboração deste trabalho concluí, ainda que de forma não absoluta, que as expectativas de melhoria das condições de vida a partir das declarações de intenções que foram criadas  nos cidadãos com o passar do tempo, sem que na prática produzam resultados palpáveis, tornando-se assim em meros slogans repetidos muitas vezes nos mais diversos níveis de governação, resultando em frustação que cria na população um sentimento de desespero e revolta, é que, provavelmente, causaram as manifestações populares de 01 e 02 de Setembro como forma de retaliação contra as promessas básicas não cumpridas pelo Governo. Pensando nesta perspectiva, pode ser errado considerar aquelas manifestações populares como sendo um evento pois, na minha óptica, elas foram um processo que foi sendo construído ao longo do tempo, com uma sucessão de eventos políticos e de decisões governamentais que apesar de serem necessárias, revelaram falta de diálogo intolerável numa sociedade democrática. Daí que se pode afirmar que uma sociedade sã é, efectivamente, aquela em que há um diálogo permanente e aberto entre os governantes e todos os elementos da sociedade e não onde os governantes vivem na sua deturpada crença de que sabem tudo o que é bom para o resto da sociedade. Portanto, pode-se induzir um povo a seguir uma causa, mas não, necessariamente, a compreendê-la.


4.1. Recomendações
  • Melhoria dos mecanismos de diálogo entre o Gonerno e a sociedade, incluindo o uso de interlocutores válidos, no caso das organizações da sociedade civil, como a Liga dos Direitos Humanos e outras, visto que as organizações sindicais encontram-se, de certa forma, descredibilizadas;
·         O desenho do plano de acção para a redução de pobreza no período 2010-2014, materializando o Plano Quinquenal do Governo, deve resultar de um processo de diálogo e debate com a sociedade, organizações da sociedade civil, acadêmicos, partidos políticos ou outros grupos socialmente organizados sobre políticas públicas que possam responder de forma efectiva aos principais problemas enfrentados pela sociedade, tanto das zonas urbanas como das zonas rurais;
  • Considerar todos os cidadãos como principais actores do processo de desenvolvimento, apesar dos níveis prevalecentes de pobreza e desigualdades sociais;
  • O Plano Quinquenal do Governo deve responder aos interesses, não só da maioria eleitoral, mas também de todo o povo moçambicano incluindo as minorias pois, na verdade, o Governo é e deve ser de todos e não do partido vencedor ou só daqueles que nele votaram;
·         Redução da carga fiscal sobre as empresas, assim elas poderão aumentar a produção e criar mais e novos empregos.


5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
5.1. Garcia, N. J. (2001). Gustavo Le Bon: As Opiniões e as Crenças. Edição eletrônica: Ridendo Castigat Mores (http://www.jahr.org/).

5.2. Lumier, J. J. (2008). Psicologia e Sociologia: O Sociólogo como Profissional das Ciências Humanas, (Disponivel em: http://www.leiturasjlumierautor.pro.br).




segunda-feira, 11 de outubro de 2010

PSICOMETRIA: Origem e os Marcos mais Importantes do seu Surgimento

Introdução

A maturidade de uma ciência se mede, em grande parte, por sua capacidade de expressar leis em linguagem matemática e de estabelecer mecanismos dedutivos. Assim, a aplicação dos testes psicométricos, iniciada nos finais do século XIX e inícios do século XX, contribuiu para que a Psicologia ascendesse à categoria de ciência. Desta feita, os primeiros estudos sistemáticos de medição psicológica datam do final do século XIX e se desenvolveram com base na matemática das probabilidades, sob influência de duas correntes: a primeira delas, que deu origem à psicofísica, constituiu uma tentativa de aplicação dos métodos das ciências físicas à mente humana. A segunda, que levou à criação dos testes psicológicos, visava à criação de métodos de medição da estabilidade emocional e da inteligência.
Psicometria é a área da psicologia que trata do desenvolvimento e da aplicação de técnicas de medição aos fenômenos psíquicos (psicológicos). Em Psicometria, as medições se fazem mediante a atribuição de valores numéricos aos comportamentos, de maneira que as diferenças de comportamento sejam representadas por variações nesses valores numéricos.
O presente trabalho elaborado no âmbito da cadeira de Testes Psicotécnicos, versa sobre “a Psicometria, sua origem, momentos-chave do seu aparecimento e os seus principais percursores” e, por sua vez, será estruturado, para além da introdução, nos seguintes termos: aparecimento da Psicometria, momentos-chave do aparecimento da Psicometria, os métodos ligados à Psicometria, os grandes percursores e o contributo que deram a Psicometria e a conclusão que culminará com as considerações finais.



Origem da Psicometria
Com base com a divisão tradicional da psicologia, «alma vs corpo», referenciam-se duas tendências. De um lado temos a psicologia alemã da introspecção, que estava interessada na experiência subjectiva e do outro lado, o empirismo inglês e norte-americano interessado no comportamento, bem como a escola (psicofísica) de Leipzig, que estudava os processos sensoriais. De entre estas duas grandes orientações, uma (a psicologia introspectiva) caracterizava-se pelo uso de procedimentos meramente descritivos, enquanto que a outra (a psicologia de orientação empirista) se preocupava com procedimentos quantitativos (Pasquali, 2003).

Psicometria é a área da psicologia que trata do desenvolvimento e da aplicação de técnicas de medição aos fenômenos psíquicos - psicológicos (Pasquali, 2003).
De acordo com Pasquali (2003) a Psicometria (mais precisamente os testes psicológicos) poderia ter tido origem numa das duas situações bastante distintas acima referidas: a psicologia de orientação empirista ou a psicologia mentalista de Binet, na França. Desta feita, Binet e Simon (1905) utilizavam processos mentais enquanto que Galton (1883), Spearman (1904b) e outros empiristas faziam uso de processos comportamentais, mais precisamente, sensoriais. Contudo, embora os testes de inteligência de Binet tenham tido muito sucesso na Psicologia, não foi da sua orientação que se deu origem a Psicometria, ela teve origem no enfoque empirista da psicologia da época.

Métodos ligados à Psicometria

A psicometria, tanto clássica quanto moderna, possui algumas caracterizações que entre elas permitem controvérsias. Enquanto por um lado, a Psicometria, pelo menos na sua prática, é ainda guiada pela concepção positivista baconista do empirismo, segundo a qual, a ciência do universal se faz através do conhecimento do singular – indução - , enfoque demonstrado como logicamente inviável, tanto pelo empirista Hume (1739-1740) quanto pelo Popper (1972). Por outro lado, em Psicometria predomina a concepção estatística (método estatístico) sobre a psicologia, pois os percursores que desenvolveram a Psicometria eram estatísticos de formação, tanto é que ainda se define a psicometria como um ramo da Estatística, quando na verdade ela deve ser concebida como um ramo da Psicologia que interfaceia com a Estatística (Pasquali, 2003). Assim sendo, segundo este autor, a origem da Psicometria deve ser procurada nos trabalhos do estatístico Spearman (1904ª, 1904b, 1907 e 1913) e, no que se refere à Psicologia, ela seguiu os procedimentos fisicalistas de Galton (1883).

Os grandes percursores e o contributo que deram a Psicometria
Os primeiros psicólogos cientistas foram, aliás, tanto ou mais físicos e fisiólogos do que psicólogos. Sabe-se que o primeiro laboratório de psicologia experimental foi criado em 1879 por Wundt, na Leipzig - Alemanha. Foi ali, pode dizer-se, que nasceu ou pelo menos foi concebido o método dos testes. Os primeiros trabalhos de laboratório limitavam-se no entanto ao estudo dos processos inferiores: domínio sensorial e motor. Só mais tarde se empreendeu o estudo experimental do pensamento e da vontade. Entretanto, numerosos discípulos de Wundt expandiram as concepções e técnicas do laboratório que ele tinha estudado e colocaram-nas ao serviço da vida real. Encontramo-las em todos os países da Europa e da América, a Alemanha foi um viveiro da psicologia aplicada (Urbina, 2007).
Francis Galton (1822-1911)
A contribuição mais directa que convém pôr em relevo por não ter nascido entre as paredes de um laboratório, mas por partir do interesse que têm em si as diferenças individuais é a obra de Francis Galton, contemporânea de Wundt e seus alunos. Primo de Darwin e seu discípulo, Galton foi essencialmente um biólogo, mas as suas investigações orientaram-no para a medida de aptidões individuais. Foram as investigações sobre a hereditariedade que o levaram a medir os caracteres que distinguiam mais ou menos os parentes ou não parentes (Urbina, 2007).
A Década de Galton (1880): para Francis Galton (biólogo inglês) à avaliação das aptidões humanas se dava por meio da medida sensorial, através da capacidade de discriminação do tacto e dos sons. Galton entendia que, a “única informação que nos atinge, vinda dos acontecimentos externos, passa, aparentemente pelo caminho de nossos sentidos. Quanto maior o discernimento que os sentidos tenham de diferentes, maior o campo em que podem agir no nosso julgamento de inteligência” (Pasquali, 2003).
A contribuição de Galton para a psicometria, de acordo com Pasquali (2003),ocorreu em três áreas:
·        criação de testes antropométricos para medida de discriminação sensorial (barras para medir a percepção de comprimento);
·        apito para percepção de altura do tom;
·        criação de escalas de atitudes (escala de pontos, questionários e associação livre); 
·        desenvolvimento e simplificação de métodos estatísticos (método da análise quantitativa dos dados coletados).
A Década de Cattell (1890): influenciado por Galton, James M. Cattell (psicólogo americano) desenvolveu medidas das diferenças individuais, o que resultou na criação da terminologia Mental Test (teste mental). Elaborou em Leipzig sua tese sobre diferenças no tempo de reacção. Este consiste em registar os minutos decorridos entre a apresentação de um estímulo ou ordem para começar a tarefa, e a primeira resposta emitida pelo examinando. Cattell seguiu as idéias de Galton, dando ênfase às medidas sensoriais, porque elas permitiam uma maior precisão (Pasquali, 2003).
A Década de Binet (1900): seus interesses estavam virados para avaliação das aptidões mais nas áreas acadêmica e da saúde. Alfred Binet e Henri fizeram uma série de críticas aos testes até então utilizadas, afirmando que eram medidas exclusivamente sensoriais que, embora permitisse maior precisão, não tinham relação importante com as funções intelectuais. Seu conteúdo intelectual fazia somente referências às habilidades muito específicas de memorizar, calcular, quando deveriam se ater às funções mais amplas como memória, imaginação, compreensão, etc. Em 1905, Binet e Simon desenvolveram o primeiro teste com 30 itens (dispostos em ordem crescente de dificuldade) com o objectivo de avaliar as mais variadas funções como julgamento, compreensão e raciocínio, para detectar o nível de inteligência ou retardo mental de adultos e crianças das escolas de Paris. Estes testes de conteúdo cognitivo atendiam a funções mais amplas, e foram bem aceites, principalmente nos EUA, a partir da sua tradução por Terman (1916), nascendo, assim, a era dos testes com base no Q.I. (Pasquali, 2003).
Q.I. = 100 (IM/IC)
Onde:
Q.I. = quociente intelectual/inteligência
IM = idade mental
IC = idade cronológica

A Década da Análise Fatorial (1930): por volta de 1920, segundo Pasquali (2003), diminuiu o entusiasmo pelos testes de inteligência, sobretudo por se demonstrar dependentes da cultura onde foram criados, o que contrariava a idéia de fator geral universal de Spearman. Kelley quebrou a tradição de Spearman em 1928, e foi seguido, na Inglaterra, por Thomson (1939) e Burt (1941), e nos EUA, por Thurstone. Este autor é relevante para época, em vista de que, além de desenvolver a análise fatorial múltipla, actuou no desenvolvimento da escala psicológica (Thurstone e Chave, 1929), tendo fundando, em 1936, a Sociedade Psicométrica Americana e a revista Psychometrika (Pasquali, 2003).
A Era da Sistematização (1940-1980): esta época é marcada por duas tendências opostas: os trabalhos de síntese e os de crítica. Em 1954, Guilford reedita Psychometric Methods e tenta sistematizar a teoria clássica, e Torgerson (1958) a teoria sobre a medida escolar. Além disso, Cattell e Warburton (1967) procuraram sintetizar os dados de medida em personalidade, e Guilford (1967) a teoria sobre a inteligência. Entre os trabalhos da crítica, destaca-se Stevens (1946), que levantou o problema das escalas de medida (Pasquali,2003). Por outro lado, este autor refere que divulgou-se também a primeira crítica à teoria clássica dos testes na obra de Lord e Novick (1968, Statistical Theory of Mental Tests Scores), que iniciou o desenvolvimento de uma teoria alternativa, a do traço latente, que se junta à teoria moderna de Psicometria, e a Teoria de Resposta ao Item - TRI. Outra tendência crítica para superar as dificuldades da Psicometria clássica foi iniciada pela Psicologia Cognitiva de Sternberg e Detterman (1979), Sternberg e Weil (1980), com seu modelo, procedimentos e pesquisas sobre os componentes cognitivos, na área da inteligência.
A Era da Psicometria Moderna - Teoria de Resposta ao Item – TRI (1980): talvez chamar a era atual de TRI seja inadequada, conforme Pasquali (2003), porque:
a) esta teoria embora seja o modelo no Primeiro Mundo, ainda não resolveu todos seus problemas fundamentais para se tornar um modelo definitivo de psicometria e,
b) ela não veio para substituir toda a psicometria clássica, mas, apenas partes dela, no entanto, é o que há de mais novo nesse campo.


Conclusão
Em trabalhos acadêmico-científicos é difícil dar cumprimrnto cabal ao prtendido, porém mais difícil ainda é fazer um trabalho que satisfaça, em termos científicos, as espectativas de quem o possa posteriormente ler com o intuito de dele assimilar algo ou julgar. A realização deste trabalho, cujo tema versa sobre a psicometria, sua história e seus percursores permitiu com que se aprofundasse os aspectos ralativos à testes psicológicos e abriu caminhos cognitivos rumo à mais uma aprendizagem. Ora, partindo do princípio que a Psicometria é uma área da Psicologia que trata do desenvolvimento e da aplicação de técnicas de medição aos fenômenos psicológicos, fica claro, de forma conclusiva, que o seu aparecimento no campo da Psicologia, constituiu um marco importantante e imprescindível para a afirmação da Psicologia como ciência com objecto e métodos (métodos quantitativos) próprios, a semelhança de qualquer outra ciência, particularmente das ciências naturais.

Referências Bibliográficas
Pasquali, L. (2003). Psicometria: Teorias dos testes na Psicologia e na Educação. Vozes: RJ, 2ªed.

Urbina, S. (2007). Fundamentos da Testagem Psicológica. Artmed: Porto Alegre.

DESENVOLVER E REFINAR ALTERNATIVAS APROPRIADAS DE CARREIRA

Conceito de Carreira
Segundo Zunker (1994) citado por Magalhães (2005), carreira é o conjunto de actividades e posições envolvidas nas vocações, ocupações e empregos que compõem a vida profissional ou de trabalho de um indivíduo.

O que fazer e porquê pazer?
Uma das maiores tarefas neste período, de acordo com Yost & Corbishley (1987), inclui adquirir informação geral sobre o mundo de trabalho, assim como informação específica sobre as diversas profissões existentes. Muitos clientes, segundo este autor, possuem um conhecimento incorrecto e insuficiente sobre trabalho e suas áreas; sobre os requisitos do trabalho em termos de personalidade, habilidade ou qualificações acadêmicas, sobre o desempenho da tarefa e sobre a remuneração oferecida. Estas ideias erróneas devem ser removidas se o cliente quiser fazer uma escolha baseada na realidade.

Para fazer um excelente trabalho de aconselhamento de carreira, o conselheiro deve ser um perito no mercado de trabalho, com acesso completo à informação e uma compreensão clara sobre as últimas tendências de carreiras ou profissões. Deste modo, conselheiros com experiências limitadas ou interesse limitado no que diz respeito ao aconselhamento de carreira, não serão capazes de fornecer informação ocupacional ou profissional suficiente ao cliente, enquanto que conselheiros peritos em informações de carreira podem estar disponíveis para o cliente guiando-o, deste modo, por todos os estágios do aconselhamento de carreira. Todavia, tem que se explicar ao cliente o carácter natural da informação de carreira e o imenso volume de material disponível em várias fontes. O conselheiro deve se certificar que consegue falar com o cliente sobre as diversas fontes que conhece, comunicando-o o facto de que nesta área particular, a sua experiência como conselheiro permite-o estar capacitado para direccionar o cliente para as melhores fontes.
A segunda maior tarefa neste período requer primeiro a elaboração de uma vasta lista de escolhas ou opções, praticáveis ou não, e a limitação dessas opções até que algumas sejam seleccionadas para uma avaliação detalhada. Contudo, como nova informação será adquirida, as alternativas podem ser adicionadas ou retiradas da lista pois uma nova alternativa desperta a necessidade de uma nova informação. Para alguns clientes, particularmente aqueles com pouca ou nenhuma experiência de trabalho têm, será importante que se tornem familiarizados com o mundo do trabalho em geral antes de reunir as alternativas, pois o que ocorre durante este processo é encorajar o cliente a elaborar uma extensa lista sem fazer julgamento de valores e daí começar prematuramente o processo de eliminação. Neste caso, é necessário ajudar o cliente a se manter e a permanecer aberto a novas possibilidades de carreira.

Como tarefa preliminar para gerar alternativas, é necessário introduzir o cliente na organização do mundo do trabalho. Elaborar um esquema poderá permitir que o cliente visualize novas possibilidades, proporcionando assim a primeira oportunidade para que o cliente possa ver onde se encaixar no mundo do trabalho. Um esquema bem organizado pode proporcionar também uma orientação para o caminho onde a informação de carreira está disposta e, consequentemente, reduzirá a confusão do cliente e o senso de não familiaridade sobre as carreiras, quando ele usar o material pela primeira vez.

Modelo do processo de elaboração de lista de alternativas de carreira
Existem quantro passos e etapas envolvidas na recolha de informação ocupacional e elaboração de alternativas de carreira, nomeadamente:

Passo I: Classificação Ocupacional
Este passo descreve a classificação e oganização de carreiras dando ênfase aos clientes, proporcionando-os um esquema de classificação ocupacional. Muitos clientes tendem a olhar apenas para os aspectos mais óbvios de uma área particular.

Passo II: Gerando Alternativas
O objectivo deste passo é que o conselheiro juntamente com o cliente crie uma lista que envolva um grande número de alternativas de carreira. Antes de começar a identificar as alternativas, o conselheiro e o cliente precisam de decidir que critério irão usar. Existem muitos critérios a considerar quando se elabora uma lista de alternativas e as seleccionadas dependerão de cada cliente.

Para clientes com interesses limitados, o critério para elaborar opções seria ver quantas opções se encaixam nesses interesses; para outros clientes, seria necessário aplicar mais de um critério. O número e a rigidez do critério escolhido para guiar o processo de elaboração de alternativas deve ser cuidadosamente aperfeiçoada para cada cliente. Teoricamente o uso de um único critério, pode ter como consequência uma lista pesada, contendo numerosas opções desagradáveis, visto que na realidade os clientes, principalmente os que têm uma visão negativa sobre o seu potencial ou oportunidades, preferem criar listas muito curtas. Por isso, antes de o cliente começar a elaborar a lista deve-se explicar o processo por detrás dessa elaboração de alternativas e o cliente deve ser encorajado a empregar, pelo menos no início, algum critério para a selecção das alternativas. O uso de mais de um método, ajuda ao cliente a explorar as opções. Alguns métodos sugestivos para elaborar alternativas de carreira, incluem:

Origem pessoal                                                       Origem comercial
1. Sonhos de infância;                                              5. Inventário de interesses;
2. Questões estimulantes;                                        6. Listas idênticas;
3. Modelos ambientais;                                           7. Literaturas especializadas.
4. Preferências de trabalho relatadas;        
 
Os sonhos de infância são muitas vezes a origem das alternativas, por isso é importante que o conselheiro pergunte ao seu cliente, quando ele era criança qual era o seu sonho ou que profissão ele gostaria de seguir quando fosse adulto; e porque é que ele não seguiu esse sonho, essa profissão. É também tarefa do conselheiro observar se actualmente o cliente mostrou-se um pouco interessado pela carreira dos sonhos. Se o interesse foi típico da idade (como por exemplo: querer ser bombeiro aos 4 anos) ou actualmente não demonstra o mesmo interesse, pode ser ignorado, mas provavelmente será incluído na lista se despertar sentimentos intensos. A vantagem ao incluir possibilidades remotas na lista, é a capacidade de estimular outras ideias. Para muitos clientes, o uso da imaginação pode proporcionar o acesso a desejos escondidos, daí que as direcções devem ser modeladas às necessidades e situações dos clientes.

A selecção de situações ou questões estimulantes pode ser guiada através da informação que o conselheiro sabe do cliente, mas com o cuidado de não limitar muito o cliente, especialmente no início do processo e elaboração de alternativas. É importante também, evitar usar a imaginação do cliente que está restringida para a própria experiência de trabalho ou áreas que o conselheiro acredita serem apropriadas para o cliente. As melhores questões a serem usadas será na área na qual o cliente aparenta ter constrangimentos cognitivos.
O cliente também pode reunir alternativas olhando para outras alternativas no meio ambiente onde ele está inserido. Por exemplo: instruir o cliente a obter um jornal com uma secção “procura de ajuda” extensiva e a marcar todos os que tenham qualquer apelação, recompensa monetária, pedido de emprego, ou qualquer outra consideração. Qualquer um desses trabalhos podem ser adicionados à lista.
Se o cliente assiste televisão, pode-se pedir a ele(a) que faça uma lista mencionando dez (10) trabalhos que despertam o seu interesse e que são retratados no decorrer da noite. Deve ser dito à ele que para se encontrar nas características do trabalho e não nos aspectos que não são, necessariamente, correlacionados com trabalho, como os personagens ou membros do trabalho ou as relações entre os membros. O conselheiro deve também pedir ao cliente que faça uma lista de todos trabalhos relativos ao conhecimento e escolher dez que podem ser apelados. Se o cliente se sentir atraído por uma determinada área, pode ser proveitoso fazer com que ele visite lugares, onde possa reunir informações, observando ou conservando com o pessoal, sobre os diferentes tipos de trabalho executados nessa área.

As preferências relacionadas ao trabalho podem ser a fonte das alternativas, especialmente para que o cliente veja a interacção entre as preferências relacionadas ao trabalho e mundo. Também pode ser vantajoso para os objectivos do cliente, perguntar a uma terceira pessoa sobre as preferências relacionadas ao trabalho. Nesta perspectiva, pode ser produtivo se o conselheiro puder fazer parte deste período o mais divertido possível, tentando enquadrar a criança e o sonho dentro do adulto. Porque o propósito destas actividades é a lista de alternativas e não fazer uma extensiva investigação de trabalhos particulares, pois não há necessidade de se escrever muito. O mais importante dos inventários de interesses é a habilidade para gerar alternativas para o cliente. Por exemplo, Mencke e Hummel citado por Yort & Corbishley (2000), apresentaram 500 ocupações classificadas de acordo com os interesses úteis, habilidades requeridas e áreas de carreira.

Passo III: Limitar a lista
Uma vez compilada a lista de alternativas, é necessário limitar as escolhas pelo simples facto de que a examinação detalhada das opções leva tempo. Há métodos para limitar as escolhas, como por exemplo, o cliente pode separar os itens em categorias, representando as opções mais desejadas, as menos desejáveis e aquelas que estão entre as duas. Se este método parcer difícil de manejar na categoria das opções mais desejáveis, o cliente pode reduzir a lista, usando outro critério. Se todas as opções da categoria das “mais desejáveis“ são igualmente atractivas, uma outra possibilidade é escolher cinco alternativas diferentes. As opções que sobraram podem ser consideradas mais tarde. Quando o cliente não consegue separar as alternativas em categorias pode se pedir que ele faça uma lista pequena de alternativas, baseando-se em algum critério que seja importante para ele, como o estatuto ou remuneração financeira. Este método é vantajoso, mas o conselheiro deve observar se o cliente não está sendo influenciado pelos outros antes de examinar as alternativas com cuidado.

Passo IV: Reunir Informações sobre cada opção
Informação ocupacional é qualquer informação sobre trabalho, incluindo aspectos com as tarefas do trabalho, as áreas de trabalho, treinamento requisitado e remuneração. O objectivo é instruir o cliente a reunir informação sobre cada alternativa na lista reduzida.

Fontes de Informação Ocupacional
Informação ocupacional pode ser obtida através de várias fontes como: material escrito, material audiovisual, entrevistas com profissionais, experiência profissional e informação informal.
Material escrito: a informação escrita sobre as profissões é abundante. Este tipo de informação pode ser encontrado em livrarias públicas, nos centros de recursos de profissões, e outros. O DOT (Dicionário de Títulos Ocupacionais) é uma enciclopédia de descrição de trabalho que descreve detalhadamente 20.000 profissões, daí que o uso do DOT é um óptimo método, pois ajuda a comparar as características individuais e os requisitos para o trabalho. As vantagens da informação escrita é que leva-se menos tempo a ter acesso do que outros tipos de informação. A desvantagem é que pode não ser apropriados para clientes que não tem boa capacidade de leitura, pode também incomodar o cliente.

Material audiovisual: os centros de carreira de universidades ou colégios às vezes mantém os ficheiros de cassetes áudio de áreas de maior estudo, e alguns institutos possuem também cassetes de vídeo ou áudio que descrevem várias ocupações, profissões. Os materiais audiovisuais são mais “vivos“ e dão mais aquele gosto pela profissão do que o material escrito, mas eles proporcionam informação limitada, podem ser inconvenientes (requerem equipamento apropriado) e também tendem a ser dispendiosos.

Sistemas pré-concebidos: há também uma variedade de sistemas pré-concebidos que embora não sejam exclusivamente dedicados à informação de carreira, levam o cliente desde o início ao fim do processo de aconselhamento de carreira. O cliente pode usá-los tanto para o processo de escolha de carreira assim como para certas partes do processo. Os livros-guia do planeamento de carreira constituem um tipo de sistema pré-concebido, nos quais existem muitos exemplos excelentes. Estes livros-guia levam o cliente através de cada fase do processo de planeamento de carreira, desde a auto-compreensão até as técnicas de procura de trabalho. A vantagem de tais programas é que o cliente pode proceder a seu próprio passo. A desvantagem seria se a pessoa trabalha sozinha, prestará menor atenção às suas necessidades, sem um conselheiro para monitorar as reacções do cliente e o diálogo interno; o cliente poderá tomar decisões prematuras e nenhum conselheiro estará lá para reconhecer tais decisões como sendo prematuras. No entanto, se se usar o livro-guia, é importante que o conselheiro se mantenha actualizado naquilo que é o pensamento e sentimento do cliente sobre o material, através do resumo de cada segmento do sistema com o cliente. Por exemplo: o conselheiro e o cliente podem passar juntos por um livro de auto-ajuda, discutindo cada parte com alguns exercíciossendo, deste modo, atribuído como trabalho de casa.

Entrevistas com profissionais: Mencke & Hummel citados por Yort & Corbishley (2000) acreditam que a melhor forma de obter informação sobre carreiras é falando com pessoas que trabalham na ocupação em que está sendo considerada pelo cliente. Qualquer pessoa que trabalhe numa área específica é de facto um profissional naquela mesma área. Para obter melhor ponto de vista, seria melhor que os clientes entrevistassem profissionais que estejam a trabalhar em cada ocupação considerada pelo cliente. O conselheiro deve também trabalhar junto com o cliente para identificar as melhores questões a expor para obter as mais completas informações. A vantagem de entrevistar profissionais como fonte de informação ocupacional é que os trabalhadores tem em primeira mão uma experiência de trabalho - qual é a sensação, quais as obrigações, as frustrações e satisfações e como isso influencia a vida deles. Os trabalhadores estão muito mais aptos para proporcionar a mais válida informação. A desvantagem é que a pessoa particular que é entrevistada não pode representar os outros trabalhadores da mesma área.

Experiência profissional - observação e participação: é na maioria dos casos, o melhor método para reunir informação. Alguns trabalhadores podem ter vontade de mostrar ao cliente o escritório ou organização ou mesmo capacitar o cliente, onde o cliente acompanha a vida do trabalhador por um ou dois dias, para criar certos vínculos com o trabalho. Para tal, o cliente pode trabalhar em uma parte do tempo, ou então em trabalhos de verão. Se estas opções não forem possíveis, o cliente pode se tornar voluntário, pois, muitas  empresas empenham-se em conceder ou admitir pessoas que sejam voluntárias, propondo assim ao cliente uma primeira experiência de trabalho. A vantagem destas oportunidades é de proporcionarem a primeira experiência para aqueles clientes que tiveram pouco contacto com o mundo de trabalho. A desvantagem seria a imensa dificuldade para obter tais oportunidades. O facto de muitos estagiários não serem pagos, eles podem ser considerados apenas quando o salário não for o assunto importante.
Informação informal: a informação informal é uma informação ocupacional que não é escrita e muitas vezes modifica ou contradiz os relatos oficiais e informações publicadas.

Avaliando a informação ocupacional
Para avaliar a amostra da informação ocupacional, o conselheiro deve olhar para o material tendo em conta a data; se tiver mais de três anos, pode apresentar uma imagem expirada do trabalho particular em questão. Se o cliente parecer tentar burlar o conselheiro na ocupação, mencionando apenas as vantagens e não as desvantagens, então a literatura não é correcta e exacta. O conselheiro deve também ver tanto se o nível da interpretação do cliente, como se o material é livre de influência sexual, racial, social, ético, idade, ou religiosa que adversamente afectar o cliente.

Processos usados para trabalhar
Assumindo que o conselheiro já avaliou a informação ocupacional, há apenas duas funções que devem ser adicionadas neste estágio: ensinar o cliente a ter habilidades para reunir a informação e discutir com o cliente sobre a informação reunida. Quem reúne a informação ocupacional é o cliente e não o conselheiro. A função do conselheiro é ensinar o cliente o mais eficiente método para obter a mais útil informação. Na maioria dos casos, o conselheiro precisa apenas de situar o cliente em direcção à mais proveitosa e útil biblioteca e em mais lugares para iniciarem a pesquisa. A maioria dos clientes pode beneficiar-se com essa instrução, entrevistando pessoas para obter informação. A segunda função do conselheiro na discussão com o cliente seobre a informação obtida, é ajudar o cliente a explorar o significado da informação, permitindo uma ampla oportunidade para a expressão de atitudes e sentimentos da parte do cliente.


Conclusão
Em trabalhos acadêmico-científicos é difícil dar cumprimento cabal ao pretendido. Porém, mais difícil é quando se trata de traduzir uma obra científica de uma lingua (inglês) para outra (português), na tentativa de adequá-la à um campo de conhecimento científico, na medita em que tal tarefa requer um alto nível de conhecimento, tanto das linguas em questão, quanto do tema em causa. Não sendo o caso para o 5°Grupo da cadeira de Psicologia de Orientação Profissional, a nossa conclusão é precedida pelo reconhecimento das nossas limitações na lingua inglesa, o que, de certa forma, pode ter contribuido na insatisfação das espectativas tanto dos colegas, como dos docentes desta cadeira. Deste modo, convidámo-los a prestar as vossas contribuições, críticas e sugestões que visem melhorar o trabalho. Contudo, depois da elaboração do trabalho concluiu-se que no início do processo de desenvolvimento e refinamento de alternativas de carreira, o cliente possui um número reduzido de opções de carreira, pois não tem informação suficiente sobre as carreiras ou profissões existentes. Neste caso, é importante que o orientador ou conselheiro elabore uma lista de alternativas de carreira e possua um conhecimento profundo sobre elas. Portanto, depois de o cliente passar pelas etapas que compõem este processo, terá uma pequena lista de opções de carreiras com informação suficiente de cada opção estando, deste modo, em altura de avaliar e escolher a carreira que lhe é adequada em função das suas aspirações profissionais.  


Referências Bibliográficas
Yost, E. & Corbishley, M. (1987). Carrer Counselling: A Psychological Approch. Jossey-Bass
Magalhães, M. de O. (2005). Personalidades vocacionais e desenvolvimento na vida adulta: generatividade e carreira profissional. Rio Grande do Sul: Instituto de Psicologia



TEORIA DAS PERSONALIDADES VOCACIONAIS E DOS AMBIENTES PROFISSIONAIS – J. HOLLAND

Breve Historial de John Holland
Segundo Silva ( 2007), Holland foi um psicólogo norte-americano, autor duma das mais importantes teorias contemporâneas do comportamento vocacional - Teoria das Personalidades Vocacionais e dos Ambientes Profissionais. Holland descreve-se a si próprio como um prático que paulatinamente se dedicou à investigação. O seu interesse pela Psicologia Vocacional emergiu a partir de várias experiências: a sua formação em consulta psicológica, a sua experiência como psicólogo militar e educacional e as suas experiências de trabalho clínico levaram-no a interessar-se pelo problema da avaliação da personalidade através de um inventário que inclui títulos de profissões.
Holland (1996) citado por Silva (1992:83), interessa-se pelas tendências pessoais que se exprimem na escolha ocupacional, onde salienta que a opção profissional é uma expressão da personalidade que os membros de uma mesma profissão têm personalidades similares e que a satisfação, a estabilidade e a realização profissional dependem da congruência entre as condições individuais de personalidade e as condições ambientais.

Pressupostos Básicos
De acordo com Yost & Corbishley (1987), Holland baseiou-se em certos pressupostos, segundo os quais as pessoas com certas caracteristicas de personalidade se adequam melhor à trabalhos com determinadas caracteristicas especificas definidas. Para Holland, se se conhecer  a personalidade de um indivíduo, pode-se predizer o tipo de ocupação que é provável produzir satisfação e realização. Desta feita, se se delinear um trabalho particular com os respectivos requisistos, pode-se avaliar que tipo de pessoa se enquadra a essa vaga. Portanto, a teoria defende que a satisfação é elevada e a rotatividade voluntária baixa quando a função e a personalidade se encontram ajustadas.
Segundo Guez & Allen (2000), na teoria de Holland as profissões e os indivíduos são categorizados de acordo com a mesma escala de atributos. Assim sendo, a escolha vocacional consistia em seleccionar um ambiente que estivesse de acordo com o tipo de personalidade, constituindo tarefa do orientador não só ajudar o indivíduo a desenvolver cada vez mais as suas habilidades e capacidades, como também a desenpenhar papéis gratificantes.
Conforme Teixeira, Castro & Cavalheiro (2008), esta teoria é vista como uma escolha vocacional apropriada que resulta da combinação de características individuais com as características dos ambientes de trabalho. Assim, pode-se afirmar que para Holland o que importa na orientação vocacional é que após esta ser feita, a personalidade e o ambiente estejam em congruência tendo em conta que eram avaliados sob a perspectiva dos mesmos atributos. Isto significa que os interesses, as atitudes e as habilidades das pessoas a serem orientadas devem estar em concordânnncia com as exigências do ambiente de trabalho.

Tipologias da Teoria de Holland
De acordo com Holland citado por Guichard (2001), a escolha vocacional é uma expressão da personalidade e os membros de uma ocupação possuem personalidades semelhantes. Estas personalidades podem ser de seis tipos: realista, investigativo, artístico, social, empreendedor e convencional. Segundo a teoria, sujeitos de um mesmo tipo respondem de maneira semelhante a muitas situações e problemas e criam ambientes interpessoais característicos.

Realista (R): este sujeito gosta de ofícios tais como mecânica, trabalhos agrícolas ou electricista. Tem capacidades mecânicas e é descrito como conformista, franco, honesto, materialista, natural, perseverante, prático, modesto, estável e supõe a manipulação sistemática de objectos, ferramentas, máquinas e animais.

Intelectual ou Investigativo (I): este sujeito gosta de profissões como biólogo, químico, antropólogo, geólogo, médico. Tem capacidades matemáticas e científicas e é descrito como analítico, prudente, crítico, curioso, independente, introvertido, metódico, preciso e racional. Este ambiente estimula os indivíduos a envolverem-se em actividades intelectuais e encoraja-os a desenvolverem as suas competências científicas, não possuem habilidades de liderança e social.

Artístico (A): este sujeito tem capacidades artísticas musicais e literárias, gosta de ofícios como compositor, músico, escritor, decorador de interiores ou actor. É descrito como emotivo, expressivo, imaginativo, com um espírito pouco prático, impulsivo, independente, intuitivo, não conformista e original. Portanto, este ambiente valorizam a liberdade, ambiguidade e estética.

Social (S): sujeitos com esta tipologia de personalidade, gostam de actividades como professorado, religioso, conselheiro, psicólogo clínico ou terapeuta da fala. Tem capacidades sociais e é descrito como convincente, cooperador, amigável, prestável, idealista, amável, responsável, sociável e compreensivo, valorizam relações interpessoais por forma a educar, informar, treinar e desenvolver.
Empreendedor (E): este sujeito gosta de ofícios como gestor, produtor de televisão, comerciante e tem capacidades de liderança e exprime-se facilmente, preferem também trabalhos que envolvem persuasão e manipulação. É descrito como aventureiro, ambicioso, dominador, energético, impulsivo, optimista, amante do prazer, autoconfiante, popular.
Convencional (C): indivíduos desta tipologia, gosta de ofícios como empregado de escritório, estenógrafo, analista financeiro, bancário, controlador de gestão. Tem capacidades para o trabalho de escritório e para a aritmética. É descrito como conformista, consciencioso, prudente, conservador, organizado, perseverante, com um sentido prático e almo, valorizam a organização e a realização em negócios.
Para Holland (1997) citado por Teixeira, et al. (2008), as dimensões do modelo apresentam um padrão de inter-relações que, num plano gráfico bidimensional, teria a forma de um hexágono, com os tipos aparecendo na seqüência R, I, A, S, E e C. Ou seja, as distâncias entre tipos adjacentes (RI, IA, AS, SE, EC, CR) seriam menores do que as distâncias observadas entre tipos alternados (RA, IS, AE, SC, ER, CI), que por sua vez seriam menores do que as distâncias entre tipos opostos (RS, IE, AC). Isto significa que as dimensões mais próximas entre si apresentam também maior semelhança quanto aos tipos a que se referem (por exemplo, o tipo I é mais próximo dos tipos R e A do que do S, e mais distante do E e do C).

Limites da Teoria de Holland
  • é muito esquemático organizar a diversidade das personalidades individuais e a dos meios de trabalho, em seis tipos, mesmo que os indivíduos e os ambientes não sejam definidos somente pela sua proximidade dos outros tipos;
  • a definição dos tipos psicológicos, que determina a definição dos tipos de ambientes, assenta num preconceito: a definição da personalidade a partir dos interesses profissionais, existe claro, relações entre interesses avaliados por questionários e a personalidade avaliada por questionários ou por testes objectivos;
  • os questionários elaborados por Holland não são propriamente  questionários de personalidade, são questionários de interesses, esta tipologia é de interesse profissionais que dela, mesmo que nela existam relações entre os interesses e a personalidade propriamente dita (Guichard,  2001).

Críticas à Teoria
Osipow & Pelletier citados por Silva (1992), questionam esta teoria na medida em que ela não explica o desenvolvimento da personalidade e seu papel na escolha profissional pois não há uma explicação plausível de como e por que as pessoas se desenvolvem, de início, conforme o tipo específico de personalidade;
Holland foi igualmente acusado de não ter em conta as relações existentes entre tipos  de ambientes e dois aspectos importantes das profissões que compõem esses ambientes: o seu prestígio e o seu carácter mais ou menos sexuado, ou, noutros termos, de ignorar os fenómenos de estratificação social  (Guichard, 2001).

Reformulação da Teoria de Holland
Segundo Yost & Corboshley ( 1987 ),  a teoria de Holland foi sujeita a críticas que consistiam em reclamações relativas aos preconceitos e ainda a falta de versões da teoria mais cedo.
Em virtude das críticas feitas a sua teoria, Holland procedeu a sua reformulação, expandindo-a um pouco, porém mantendo as suas premissas originais. Tentou incorporar nela os efeitos vocacionais de variáveis previamente negligenciadas, incluindo o estatuto socio-econômico, gênero, habilidade e educação. Holland reconheceu que as características de interesses de carreira mudam com o passar do tempo e proveu uma explicação para tal mudança.
De acordo com Holland, o tipo de personalidade básico de uma pessoa estabiliza entre as idades de dezoito e trinta anos  depois disso é bastante difícil mudar. O tipo consciente numa pessoa faz com que ela encontre um ambiente de trabalho satisfatório e com que seja mais hábil para lidar com trabalho satisfatório alterando o ambiente de trabalho, porem não mudando a própria personalidade.

Contribuições da Teoria de Holland
  • este modelo é baseado num enfoque cognitivo, mas que leva em consideração as dimensões emotivas e afectivas da aprendizagem Silva, 1992) ;
  • os questionários de Holland foram introduzidos e são correctamente utilizados em muitos países, a maioria dos programas informáticos usados em orientação, para descrever as actividades profissionais e os indivíduos: esta tipologia é utilizada para estruturar programas de informação profissional;
  • por esta teoria ser imediatamente operatória, fez com que o seu sistema fosse facilmente assimilável;
  • esta teoria ocupa uma posição intermédia entre as concepções diagnosticas e as concepções educativas da orientação;
  • pode ser usada como uma teoria próxima da teoria das aptidões – fundamentam-se os conselhos sobre interesses - mas já não se trata da teoria de as aptidões;
  • pode também ser utilizada como teoria educativa – mas ainda a não é verdadeiramente (Guichard, 2001).







Considerações Finais

Um dos principais pressupostos basilares da teoria de Holland é de que “pessoas com certas caracteristicas de personalidade adequam-se melhor à trabalhos com determinadas caracteristicas especificas definidas”. Nesta perspectiva, é importante referir que o conhecimento da personalidade do indivíduo a ser orientado e das carreiras profissionais, da parte do orientador, em qualquer processo de orientação, constituirá, na óptica desta teoria, um elemento fulcral e imprescindível para a realização do processo de orientação com sucesso, tal com é, também importante, salientar que é preciso, acima de tudo, que os profissionais da Orientação vocacional (profissional) não se esqueçam que a escolha de uma profissão, bem como a dúvida e a indecisão, fazem parte do desenvolvimento normal dos indivíduos e que o papel do orientador nesse processo é o de servir de instrumento para essa escolha e desenvolvimento vocacionais. Portanto, após a realização do presente trabalho que tem enfoque particular a teoria das Personalidades Vocacionais e dos Ambientes Profissionais – John Holland , o grupo concluiu que se se conhecer devidamente a personalidade de um determinado indivíduo, pode-se predizer, com certeza, o tipo de ocupação que lhe é provável produzir satisfação e realização.














Referências Bibliográficas

  • Guez, W. & Allen, J. (2000). Orientação. França: Unesco

  • Guichard, J. (2001). Psicologia da Orientação. Instituto Piaget: Lisboa.

  • Silva, M. de L. R. da. (1992). Personalidade e Escolha Profissional: Subsídios de Keirsey e Bates para a Orientação Vocacional. Editora Pedagógica e Universitária, Lta: São Paulo.

  • Silva, T. (2007). Teorias da Escolha e do Desenvolvimento Vocacional.

  • Teixeira, M. A. P.; Castro, G. D. & Cavalheiro, C. V. (2008). Escalas de Interesses Vocacionais (EIV): construção, validade fatorial e consistência interna. Porto Alegre: Psicol. estud. vol.13 no.1.  

  • Yost, E. & Corbishley, M. (1987). Carrer Counselling: A Psychological Approch. Jossey-Bass